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RESENHA

O Movimento, a Mecânica e a Física no Ensino Médio

Maria José P. M. de Almeida et al

por  Celina Arzamendia Silva

           O trabalho apresentado pelos autores evidencia a abstração matemática no ensino de Física no Ensino Médio. Notações técnicas, símbolos, fórmulas e definições de conceitos remetem os alunos do Ensino Médio à resolução de exercícios pensados com a finalidade de praticarem equações, levando-os ao desinteresse e a questionarem o valor da Física como disciplina importante para a sua compreensão dos fenômenos naturais.

Destacam as tentativas de "mudança desse estado de coisas" citando alguns rumos seguidos pela comunidade de educadores do Ensino de Física, divulgados nos meios acadêmicos e que têm trazido importantes contribuições sobre os modos como os estudantes pensam conceitos de Física. 

Iniciam com a apresentação de uma proposta de trabalho numa sala de aula da 2ª série do ensino médio do período noturno, de uma escola pública do Estado de São Paulo, onde observam uma característica do profissional do Ensino de Física na maior parte das escolas do País: o professor(a) de Física, na sua maioria, possui formação em Matemática.

São propostos dois ensaios com os temas atrito e estações do ano.

Aos alunos da 2ª série do Ensino Médio, foi proposta uma leitura de um texto sobre atrito, e que produzissem respostas a duas questões formuladas para análise na aula seguinte.

Foi solicitado aos alunos que lessem o texto em pequenos grupos, discutindo entre si e respondendo as questões por escrito.

Da análise das respostas dos alunos, aferiu-se que, em muitos casos mais ou menos explícitos, os alunos demonstraram esperar a resposta da docente na forma de explicação, num contexto que anteriormente não havia valorizado a leitura dos alunos.

A expectativa de explicação pela professora tornou a dinâmica de leitura prévia do texto, por parte dos alunos, um mero momento de espera, com poucas exceções, levando-os, inclusive, a questionarem quando a professora iria "entrar na matéria".  Os autores do trabalho interpretaram esse questionamento como sendo "matéria" somente aquilo que a professora explica.

Mesmo com as dificuldades observadas, os autores destacam que houve por parte de alguns alunos certa disposição e curiosidade em avançar no conteúdo.

O pesquisador notou diferentes maneiras de relações entre os conceitos propostos, dando uma idéia da dificuldade dos alunos no momento da leitura do texto e na resposta a uma questão aberta.

Outra atividade foi proposta a alunos da 1ª série do Ensino Médio do período diurno (os autores não esclarecem se do período matutino ou vespertino), da mesma escola e com a mesma professora do estudo anterior.

Foram propostas interpretações sobre dois modelos explicativos para as estações do ano, onde os alunos deveriam identificar qual deles explica melhor o fenômeno, justificando.

Os dois modelos apresentados apresentavam-se como corretos, embora não fosse verdade. A maioria dos grupos de alunos, após várias considerações, análises e discussões, optaram, inicialmente, pelo modelo errado, mas, após discussões intra e extra-grupo, oito dos onze grupos julgaram corretamente.  Os grupos que refutaram o modelo errado tinham um desempenho apenas regular no curso de Física e nessa tarefa apresentaram um melhor desempenho na explicitação da resposta.

   Observaram que com a atividade que realizaram puderam avaliar os alunos dentro de um trabalho que fugiu à rotina das aulas. Observaram ainda, no trabalho, que houve reflexão e argumentação sobre o tema proposto, considerando que o tema foi adequado para esses alunos.

Finalmente, os autores destacam no tópico II, Discussão, que a mudança de rotina com o uso de um texto do tipo dos encontrados em livros didáticos, revelou aspectos significativos da interação dos alunos, evidenciando suas expectativas em relação ao papel da professora e as suas dificuldades com a natureza formal da linguagem do texto apresentado.

Destacam ainda que atividade simples e aparentemente tão pouco diferente da rotina escolar é essencial para o entendimento de conceitos de elementos naturais presentes no cotidiano dos estudantes, possibilitando o exercício da imaginação sem se prenderem na memorização de fórmulas, tabelas e conceitos não internalizados.

Fecham o trabalho destacando que para Einstein, alguns conceitos são comuns, aparentes e relativos e não matemáticos, verdadeiros e absolutos.

 

 

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