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Celina Arzamendia
Silva - RA: 080.03.0317-2
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RESENHA A Evolução do Pensamento sobre o Conceito de Movimento José Plínio Baptista e Laércio Ferracioli por Celina Arzamendia
Silva A concepção do conceito de Movimento e a evolução do pensamento científico através dos tempos são a tônica desse trabalho que, partindo das idéias dos filósofos anteriores a Sócrates, chega até a descrição do conceito do Movimento elaborado por Aristóteles. Os autores iniciam com a apresentação do tema proposto levando o leitor às primeiras considerações sobre o conceito de Movimento teorizado pelos pensadores ao longo da história filosófico-científica da civilização ocidental. Quiseram José Plínio e Laércio que o leitor do seu trabalho tivesse conhecimento dos conceitos iniciais de Movimento através da explanação da idéia dos elementos básicos do fenômeno físico, com a exposição da fórmula básica de Movimento na resolução de um problema proposto. Mostra como a Mecânica Analítica ensina, na simplicidade moderna, como resolver problemas acerca do fenômeno. José Plínio e Laércio apresentam a caracterização de três fases históricas do conceito de Movimento, iniciando onde o mesmo aparece como atributo dos modelos cosmogônicos propostos, passa pela análise incansável dos pensadores pós-aristotélicos chegando ao conceito atual de Movimento formulado por Impetus. Após uma breve passagem pelos filósofos jônicos, chamados simplesmente de "Físicos", por Aristóteles, os autores dão destaque às idéias do mesmo na parte III do documento, salientando o rigor e a sistematização do estudo do problema de Movimento em sua obra, culminando com a classificação em dois tipos de Movimentos: o Natural e o Violento ou Forçado. Destacam que, para Aristóteles, qualquer circunstância envolvendo o Movimento, é fundamental o conceito de Motor, o que o leva à definição do motor da grande esfera celeste, então denominada de Primeiro Móvel, associando-o à providência divina. Para ele, a alma é o motor dos seres vivos e, de forma semelhante, os corpos em movimento deverão ser "empurrados" por um motor. Destacam que esta questão do motor irá obrigar Aristóteles a conceber o movimento em qualquer circunstância como resultado da ação contínua e sempre presente do motor e que só desaparece com o repouso do corpo. Concluem que a análise lógica e agudeza de raciocínio dos trabalhos de Aristóteles apresentam um excepcional estudo científico do movimento, independentemente da contestação posterior de suas idéias, o que verificaremos mais tarde. Os autores mostram no mesmo tópico III, que Aristóteles destaca o corpo da totalidade do universo, eliminando todos os outros fatores que poderiam influir no movimento, deixando apenas o motor e o meio, quando ele introduz a noção de sistema isolado, chegando a formular um postulado em que questiona a existência do vácuo e faz uma análise minuciosa de como se dá o movimento forçado. Observam ainda que, independentemente de suas conclusões, Aristóteles encaminhou a questão da descrição do movimento definindo um sistema físico idealizado que lhe permitiu analisar todos os aspectos do problema e que, hoje em dia, as grandezas envolvidas no processo do movimento não se restringem unicamente à velocidade, à força e à resistência do meio. Iniciam o tópico IV do documento destacando a grande profusão de trabalhos com críticas e estudos sobre a teoria aristotélica do Movimento, desde os cientistas alexandrinos no início do primeiro milênio até a alta Idade Média, o que confere a esta época uma característica cientificamente fecunda e rica, contrariando a tradicional idéia de uma Era de trevas e obscurantismo em todas as áreas do conhecimento, citando exemplos de filósofos que, através de sólidos argumentos, rejeitam a teoria aristotélica que preconizava o papel motor do meio no movimento dos corpos. Observam, após uma série de considerações técnicas e matemática desses filósofos, que estes ainda sofrem as amarras dogmáticas-teológicas imposta pela vasta influência e poder da Igreja no período, muitas vezes mais forte que o poder civil vigente. A caracterização de Movimento de maneira clara e precisa no estudo aristotélico mostrou que a conceituação do Movimento há muito tempo assumiu a forma geral atual, confirmando Aristóteles como inovador no campo das Ciências, pois, através de seu estudo do problema específico do movimento, idealizando um sistema isolado, ele se antecipou de muitos séculos aos físicos teóricos e filósofos modernos. Nossos autores concluem que tais considerações aristotélicas e pós-aristotélicas permitem seguir os principais passos na construção do conhecimento do movimento ao longo da evolução do pensamento científico.
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