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O
GLOBO:
Seus
livros
sempre
estão
nas
listas
dos
mais
vendidos,
como
os
de
Paulo
Coelho.
Como
você
explica
isso?
-
J.
J.
Benítez:
Nunca
me
interessei
por
essas
listas.
Eu
sei
que
a
série
“Operação
Cavalo
de
Tróia”
vendeu
até
agora
1,5
milhão
de
exemplares
no
Brasil.
Não
posso
falar
por
Coelho,
que
não
conheço.
Sobre
meu
trabalho,
posso
dizer
que
ele
contêm
algo
especial
que
toca
as
fibras
mais
íntimas
dos
leitores.
Eu
não
faço
literatura,
faço
jornalismo
de
investigação.
O
GLOBO:
Mas
você
afirma
que
conversa
com
Jesus
e
acompanha
Maria
em
suas
viagens.Que
jornalismo
é
esse?
-
J.
J.
Benítez:
Não
me
pergunte,
não
sei
responder.
É
algo
que,
no
momento
de
escrever,
me
envolve
e
me
faz
tremer.
Enquanto
escrevo,
eu
consulto
as
fichas
com
dados
históricos,
científicos
ou
teológicos
colhidos
durante
a
pesquisa
prévia.
E
tudo
se
encaixa,
exatamente
como
acontece
com
uma
boa
reportagem.
Tudo
começou
em
1979,
quando
eu
trabalhava
como
repórter
em
Bilbao,
Espanha.
Fui
encarregado
de
escrever
sobre
o
Santo
Sudário,
guardado
na
catedral
de
Turim,
na
Itália,
que
envolveu
o
corpo
de
Jesus
depois
de
sua
morte
e
que
apresenta
vestígios
de
seu
sangue.
O
GLOBO:
Mas
em
1979
cientistas
já
tinham
provado
que
se
tratava
de
um
pano
tecido
no
mínimo
400
anos
depois
da
morte
de
Jesus!
-
J.
J.
Benítez:
Existem
várias
interpretações
sobre
isso,
mas
eu
não
me
deixei
abalar.
Ainda
hoje
sustento
que
o
Sudário
de
Turim
é
absolutamente
autêntico.
Digo
isso
porque
sou
católico,
nunca
fui
praticante,
mas
porque
fui
possuído
por
uma
certeza
absoluta,
que
vai
me
acompanhar
para
sempre.
O
GLOBO:
No
quinto
volume
de
“Operação
Cavalo
de
Tróia”,
você
garante
que
Pôncio
Pilatos
era
um
psicopata
bêbado
e
um
tarado
que
se
alimentava
de
cérebros
de
macacos,
como
um
personagem
dos
filmes
de
Indiana
Jones…
-
J.
J.
Benítez:
Foi
assim
que
eu
vi.
É
a
verdade.
Não
pensei
em
Indiana
Jones,
mas
garanto
que,
como
provam
minhas
pesquisas,
ele
se
alimentava
de
cérebros
de
macacos,
apesar
de
na
Palestina
não
existirem
macacos.
Ele
mandava
trazer
seu
prato
preferido
das
colônias
romanas
da
África
do
Norte.
Pilatos
estava
louco
quando
condenou
Jesus
à
cruz,
mas
tinha
outros
motivos.
Prestar
um
favor
à
classe
dominante
dos
judeus,
por
exemplo,
que
não
podia
permitir
que
um
Jesus
qualquer
aparecesse
de
repente
para
semear
cizânia
entre
os
poderosos.
E
tem
mais:
nem
Jesus
nem
seus
sequazes
suspeitavam
da
importância
que
assumiriam
séculos
depois.
O
cristianismo
foi
uma
invenção
de
Roma,
que
hoje
é
uma
grande
multinacional.
O
GLOBO:
O
que
Roma
acha
de
seus
livros?
-
J.
J.
Benítez:
Roma
diz,
através
de
alguns
de
seus
bispos
espanhóis,
que
são
obras
do
demônio.
Se
for
verdade,
eu
sou
o
diabo.
Na
Espanha,
são
os
generais
que
me
condenam,
mas
não
por
motivos
teológicos.
Entre
os
32
livros
que
escrevi
nos
últimos
20
anos,
o
que
irritou
os
militares
foi
“Matéria
reservada”,
onde
conto
a
verdade
sobre
os
discos
voadores,
baseado
em
documentos
absolutamente
secretos
da
Aeronáutica.
Eu
denunciei
as
autoridades
e
suas
mentiras,
e
elas
ficaram
esbravejando
e
ameaçando,
mas
a
Espanha
é
uma
democracia
que
defende
o
direito
de
expressão.
O
GLOBO:
Voltemos
a
“Operação
Cavalo
de
Tróia”.
Por
que
houve
um
silêncio
de
seis
anos
entre
o
quarto
e
o
quinto
volumes?
-
J.
J.
Benítez:
Como
explico
em
meu
livro,
eu
estava
com
medo.
Um
medo
que
me
impedia
de
voltar
a
mergulhar
na
época
de
Jesus,
de
viver
os
momentos
terríveis
que
me
esperavam.
Digo
a
verdade:
não
sei
explicar.
Fiz
muitas
tentativas,
mas
não
conseguia
escrever.
Depois,
de
repente,
às
11
horas
da
manhã
de
quarta-feira,
1º
de
novembro
de
1995,
a
“grande
porta”,
se
abriu
e
eu
comecei
a
escrever.
O
GLOBO:
Que
porta?
-
J.
J.
Benítez:
A
porta
de
inspiração.
É
algo
que
me
envolve.
Então
eu
fico
como
ausente,
até
o
momento
em
que
dou
meu
livro
por
acabado.
O
GLOBO:
Em
“Operação
Cavalo
de
Tróia”,
as
mulheres
têm
uma
função
marginal
ou
figurativa.
O
senhor
praticamente
ignora
a
existência
da
sexualidade.
Por
quê?
-
J.
J.
Benítez:
Porque
até
agora,
não
havia
necessidade
de
falar
nisso.
Mas
no
sexto
volume,
dedicado
a
um
momento
da
vida
de
Jesus
que
os
evangelhos
–
que
não
são
documentos
mas
narrações
póstumas
–
praticamente
deixam
na
sombra,
a
figura
de
Maria
Madalena
aparece
com
a
força
e
a
importância
que
merece.
Eu
sei
que
Madalena
foi
obrigada
a
prostituir-se.
Ela
não
foi
uma
meretriz
voluntária.
O
GLOBO:
Obrigada
por
quem?
-
J.
J.
Benítez:
Ainda
não
deveria
divulgar
esta
tese,
mas
saiba
que
ela
foi
obrigada
pelo
marido,
que
endividado
até
o
pescoço,
precisava
de
dinheiro.
O
GLOBO:
O
marido
de
Maria
Madalena
era
gigolô?
-
J.
J.
Benítez:
Você
pode
chamá-lo
como
quiser:
as
coisas
de
hoje
aconteciam
também
há
dois
mil
anos.
Mas
é
importante
saber
que
Maria
Madalena
se
prostituía
contra
sua
vontade.
Só
assim
se
justifica
a
atitude
de
Jesus
–
que,
é
bom
esclarecer,
não
manteve
nem
com
ela
nem
com
outras
mulheres
qualquer
tipo
de
relação
sexual.
No
sexto
volume
de
“Cavalo
de
Tróia”
eu
mostro
Maria
Madalena
no
bordel
da
época,
fazendo
seu
trabalho
a
contragosto.
O
GLOBO:
Você
é
disciplinado
como
escritor?
-
J.
J.
Benítez:
Sempre
fui.
Começo
às
sete
da
manhã
e
só
acabo
às
22h.
Este
último
livro
foi
escrito
em
117
dias.
Quando
começo
a
escrever,
escolho
um
CD
e
não
ouço
outro
até
a
palavra
fim,
sempre
a
mesma
música
que
se
repete,
sem
interrupção.
No
caso
de
“Cavalo
de
Tróia”,
escolhi
os
coros
de
Vangelis. |