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RESENHA

Os Mitos dos Cientistas e suas Controvérsias

Rodrigo Moura e João Batista Garcia Canalle

por  Celina Arzamendia Silva

           Rodrigo Moura e João Batista Canalle discutem, neste artigo, os mitos e controvérsias que cercam alguns dos maiores gênios da ciência da humanidade, discorrendo cobre algumas das suas mais conhecidas descobertas e pautando algumas das críticas e contestações posteriores feitas por cientistas que discordavam sobre os métodos aplicados, embora não levantassem dúvidas sobre a paternidade do feito.

           Abrem o artigo observando que as grandes descobertas são tratadas, em livros didáticos, como obra do acaso, do fantástico, o que, segundo eles, provocam a desvalorização do trabalho científico.

           Começam, na introdução, citando apólogos1 clássicos das descobertas mais populares, destacando o fato de que "muitas foram deturpadas ou são pura fantasia, ou ainda, sobre as quais não há um parecer definitivo mesmo entre os historiadores da ciência".

           A saga científico-militar de Arquimedes em Siracusa deixou um legado de descobertas e invenções, cujos exemplos mais conhecidos são tratados no tópico II (Arquimedes, o sábio de Siracusa), onde os autores descrevem as percepções do grande sábio para resoluções dos problemas do cotidiano. Em certos casos, segundo os autores, seu périplo no campo das descobertas científicas são carregados de genialidade sobrehumana, duramente contestados nos anos posteriores por diversos autores e cientistas. 

           Citam aspectos da sua história pessoal e destacam algumas das suas mais conhecidas descobertas, como a que leva o seu nome, o Princípio de Arquimedes, que deduz o peso de um corpo imerso em um líquido. Faz referências a versões diferentes existentes sobre essa e outras façanhas, como o caso do uso combinado de alavancas e polias para deslocar grandes estruturas ou o uso de espelhos para defender Siracusa dos ataques dos romanos.

           Encerram essa primeira parte deixando a sensação de que, embora contestado em seus procedimentos, tais descobertas não podem ser desacreditadas a Arquimedes, deixando a questão em aberto para analistas futuros que poderão ou não confirmar a história sobre esse grande gênio da humanidade.

           A terceira parte do trabalho aborda três histórias famosas que cercam Galileu: a que diz respeito a descoberta da Lei do Isocronismo das Oscilações Pendulares, a do lançamento dos pesos da Torre de Pisa e o mito da afirmação, perante um tribunal da Inquisição, que "No entanto (a Terra) se move", reafirmando sua crença científica na teoria heliocêntrica.

           Os autores começam a primeira história, que resultou na Lei do Isocronismo, apresentando fatos históricos sobre a vida do cientista, e as condições que lhe a permitiu formular. Não percebemos aqui, a negação da observação do fenômeno físico; apenas a forma e os instrumentos utilizados foram contestados por autores bibliográficos, citados no trabalho.

            Já, quanto à segunda história, a do lançamento dos pesos da Torre de Pisa, os autores iniciam destacando que a maioria dos historiadores tendem a considerá-la fantasiosa, direcionando o leitor a um julgamento semelhante. Discorrem sobre os fatos, descrevendo-o e citando contestações de biógrafos e pesquisadores históricos acerca da conquista científica. Chegam a destacar as incoerências das diversas histórias escritas sobre o mesmo fato, tornando a descoberta creditada à Galileu sobre o isocronismo das oscilações pendulares mais um dos muitos apólogos dos grandes sábios da humanidade.

           A terceira e última história tratada no artigo, referindo-se às dificuldades do cientista em expor uma tese que esbarrava nos dogmas católicos do período, deixa bem claro o quão fantasiosa pode ser a historiografia, quando se refere a fatos não discursados ou documentados. Citam que "intimamente", Galileu nunca renegou suas idéias heliocêntricas e destacam outras situações da vida do cientista como sendo meros apólogos criados para exaltar o gênio e tornar mais fantástico possível seus feitos, já que foram conquistados à custa de sacrifícios pessoais.

           A compreensão da força universal da gravidade por Newton sob uma macieira quando uma fruta desta caiu sobre a sua cabeça (ou seus pés, segundo alguns), é o tema do tópico IV, A Maçã de Newton, onde os autores discordam do fato de que Newton precisaria de uma maçã caindo-lhe sobre a cabeça para que pudesse descobrir uma força dominante no Universo. Esse apólogo torna-o mais "estúpido" que cientista e observador, nas palavras dos autores. Mas estes pretenderam, com o artigo, não questionar o intelecto de Newton e sim analisar até onde pode haver verdade nesse episódio, bem como mostrar as controvérsias do mesmo. Após longas considerações históricas e bibliográficas comparativas, os autores citam a opinião de Richard Brennan que, "na ausência de prova em contrário (...) deve-se aceitar a palavra de Newton como expressão do que aconteceu e do momento em que aconteceu"., acerca da forma e momento da descoberta da compreensão da força universal da gravidade, dando assim, credibilidade a história da maçã. No entanto, as considerações e comparações dos autores demonstram a amplitude dessa compreensão, extrapolando a simples observação da maçã que cai e sua relação com a gravidade terrestre, e possibilitando reflexões e considerações que as catapultaram para fora da atmosfera da Terra, resultando na genialidade da descoberta da força da gravidade universal.

           A idéia luminosa de Edison, título do tópico V, trata do autodidata que é até hoje considerado o mais profícuo inventor do mundo. Tomás Alva Edison recebeu o título de "Pai da Lâmpada Elétrica", a despeito da observância das conquistas e fracassos de predecessores e contemporâneos de outras nacionalidades que buscavam soluções para baratear e popularizar o uso da lâmpada elétrica incandescente. 

           Mesmo não sendo o único a realizar pesquisas sobre a lâmpada elétrica, é creditado à Edison a paternidade do invento, imagem tão arraigada que torna-se titânica a batalha para expor os trabalhos de outras pesquisadores sobre o mesmo invento.  Destacam os autores que o papel de Edison foi o de popularizar a energia elétrica, tornando-a barata através do uso de diferentes materiais até chegar a um que fosse duradouro e barato.  Destacam ainda que, mesmo com esse crédito, "não se pode, porém, esquecer o trabalho dos outros cientistas".

           O mito do "zero em aritmética" como fator de insuficiência escolar atribuído a Einstein, é abordado no tópico VI onde os autores do artigo explicam como funciona a metodologia de avaliação germânica e discorrem sobre apólogos da vida pessoal do gênio. Citam o episódio da investigação acerca de existência de uma filha do cientista, nunca confirmada, e sobre algumas características ocultas dos livros didáticos sobre seus pontos positivos e negativos em comportamento social.

           Concluem o trabalho fazendo algumas considerações finais sobre os mitos atribuídos aos cientistas analisados, dando sugestões de materiais e de trabalho para estudantes de nível fundamental e médio.

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1. Apólogos:  Historieta mais ou menos longa, que ilustra uma lição de sabedoria e cuja moralidade é expressa como conclusão (fábula).:.
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