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RESENHA
A
(Im) Pertinência da História ao
Aprendizado da Física
Penha
Maria Cardoso Dias
por
Celina Arzamendia Silva
A autora inicia seu artigo destacando
a importância da História para a
revelação dos "porquês",
das categorias conceituais da
ciência, o que torna a História da
Física, necessária para análise de
seus fundamentos, já que ela permite
rever conceitos, criticá-los,
recuperando significados e
estendendo-os à luz de novas
descobertas. Na resenha "A
Filosofia Natural à Época de
Newton", o autor considerava que
a compreensão histórica das
descobertas científicas "(...) fica
reduzida a meras anedotas sobre as
vidas de personalidades científicas,
adorações exaltadas de genialidades,
esquematizações didáticas do
surgimento de teorias, ou
reconhecimentos de interdependências
entre os desenvolvimentos científicos
e sociais, mas sem clareza dos
processos que as estabelecem".
Segundo Penha Maria Cardoso Dias, a
História da Física como instrumento
de aprendizado dessa ciência,
possibilita a assimilação de
conceitos e é instrumento de
formação intelectual, porém, nem
todos os modos de se fazer História
servem ao propósito do aprendizado de
conceitos ou servem aos fundamentos da
ciência.
O uso da
história na clarificação de
conceitos é abordado no tópico II,
parte I, onde a autora afirma que a
Física não é uma ciência trivial,
embora ao longo de muitos anos e, até
séculos, percebeu-se que as
dificuldades conceituais são
banalizadas, tratados como
"óbvios", deixando a
sensação de que os conceitos são
"mágicos".
Penha exemplifica citando que a
Física começa enumerando as três
leis da Mecânica, destacando que a
primeira delas, a Lei da Inércia,
nem sequer é motivo de observação
no dia-a-dia. Discorre ainda
sobre a Epistemologia ao perguntar que
grau de confiabilidade pode-se ter
nessa Lei e continua discorrendo sobre
esse ramo da Filosofia, concluindo que
a ciência, de fato, "explica
alguma coisa", mas o problema é
o de tornar inteligível as leis da
Física, entender o seu significado
físico e metafísico. A autora volta
a destacar a importância da
História, quando afirma que a
história da descoberta de um conceito
mostra não somente como o
conceito foi criado, mas, sobretudo,
seu porquê, porque revive os
elementos do pensar de uma
época, revelando, pois, os
ingredientes com que o pensamento
poderia ter contado na época em que
determinada conquista foi feita,
desvendando a lógica da
construção conceitual, revelando os
"buracos lógicos" que o
conceito preenche, revivendo o
próprio ato intelectual da criação
científica.
Penha Maria
tece que algumas questões dos
Fundamentos da Física são
filosóficas em sua natureza e cita
alguns exemplos na forma
interrogativa, levando o leitor a se
perguntar "por que seria, como
seria, por que pode, como pode, o que
dizer ou como dizer" de
determinados conceitos ou propriedades
físicas, afirmando na porção final
da parte II que existe uma relação
profunda entre a História da Ciência
e a Epistemologia, porque ela aponta
os ingredientes envolvidos na
construção ou descoberta do
conceito, relevando o grau de
racionalidade do ato da descoberta
e que o valor epistêmico da ciência
só pode ser avaliado ao longo de sua
História.
A segunda parte do Estudo de
Caso "A teoria do calor", no
tópico III, a autora nos leva à uma
série de princípios e cálculos
sobre Termodinâmica, novamente
conduzindo o leitor a formular
questões "como", "por
que", "para que", onde
ela discorre sobre cálculos e
princípios envolvendo o assunto do
tópico, a teoria do calor, fazendo
comparações e concluindo que o uso
da História da Física torna as leis
menos "mágicas" porque
realça os problemas e questões que
forçaram Carnot e Clausius a
formularem a Termodinâmica.
A autora nos premia com um
apêndice do princípio de Joule, com
um gráfico do "Ciclo de Carnot
Infinitesimal" e uma bateria de
cálculos e exercícios esclarecedores
sobre o tema, faz algumas notas
interessantes sobre as máquinas a
vapor no tópico IV, faz alguns
agradecimentos e dá sugestões de
leituras suplementares. |